Administração Municipal

Administração Municipal

O primeiro superintendente que Coari teve, depois da Proclamação da República, foi o Tenente Coronel Gaudêncio Euclides Soares Ribeiro. Este homem gozava de muito prestígio na política local e trazia uma tradição do tempo da Monarquia, como um dos chefes mais influentes. Era advogado provisionado e proprietário no município. Depois foi eleito deputado ao Congresso do Estado. A principal Praça de Coari tinha o seu nome como uma consagração aos seus serviços; mas há poucos anos mudaram-lhe o nome para o de Epitácio Pessoa.
Em 1891 ascendeu ao governo municipal o Major João dos Santos Meirelles. Veio depois o Capitão José da Rocha Lima (1892 a 1893), seguindo-se o cidadão Francisco Valdomiro de Almeida (1893), tendo assumido a superintendência, em dezembro deste mesmo ano, o cidadão Gustavo Antônio da Silva.
Sucedeu-lhe o Major João Facundo da Cunha Linhares, abrindo-lhe em seguida o período administrativo do Major Augusto Celso de Menezes, 1896, homem de luzes e inteligentíssimo, que exercia a profissão de advogado provisionado.
Em 1898 assumiu o governo municipal o Tenente-coronel Maurício José Ferreira, natural de Coari, homem venerado, testemunha de antigos acontecimentos históricos. Governou oito meses, sendo substituído pelo Major João Dantas da Silveira, a quem vemos de novo no governo em 1900. Por esse tempo, a 1º de setembro, os intendentes Verissimo Guimarães Brando Solimões, Ignácio Jansen Porto e Francisco José de Queiroz compareceram em cartório e fizeram um protesto contra o ato, que taxaram de arbitrário, violento e criminoso do referido superintendente, que sobre pretextos infundados, “quando na vila todos os negócios públicos e políticos permaneciam em paz e harmonia” – impediu a reunião dos mesmos intendentes, na Intendência Municipal, quando estes se dirigiram para dar começo aos trabalhos da terceira sessão legislativa, mandando ostensivamente fechar todas as portas do edifício, ocultando-se em sua própria casa para não presidir a referida reunião, e ordenando aos empregados internos da secretaria, que não se apresentassem nem cumprissem qualquer ordem dos protestantes. A administração do major João Dantas de Oliveira prolongou-se até 8 de janeiro de 1902.
No começo desse ano foi nomeado para, em comissão, exercer o cargo de superintendente, o Major Cyrillo Leopoldo da Silva Neves, funcionário público de tradições respeitáveis, e que era uma garantia para o município de Coari. O seu sucessor, Major Deolindo Tavares de Gouveia Barreto, classificou de sabia a sua administração, enaltecendo a escrituração metódica, extreme de vícios que encontrou na Intendência.
Este superintendente foi substituído pelo intendente Tenente-coronel Francisco d’Assis P. Guimarães, que administrou pouco tempo. Tendo-se licenciado o major Deolindo Tavares, por ter de seguir a Pernambuco, foi nomeado para substitui-lo o Coronel Camilo de Lellis Pacheco Amora.
Por ato de 22 de julho de 1904, do Governador do Estado, foi nomeado superintendente o Coronel Antônio Claudino Ferreira da Luz, que em mensagem de 3 de dezembro não escondeu sua desoladora impressão dos negócios públicos.
Em 1906, sucedeu-lhe o governo municipal o Coronel Ricardo Vicente Cluny. Foi substituído, durante o tempo que esteve licenciado, pelo major reformado Febronio Gonçalves Pinheiro, e depois pelo professor Benedito Edelberto de Góes, que por muitos anos exerceu o magistério público em Coari. Veio depois o farmacêutico Germano Bentes Guerreiro, que permaneceu no cargo nove meses e seis dias.
No fim do ano de 1910, após a reforma da Constituição do Estado que concedia a faculdade aos municípios escolherem seus superintendentes, foi eleito o superintendente Coronel Manoel Marques de Souza, que governou menos de um ano, pois foi colhido pela morte.
Em virtude da Lei Estadual nº 684, de 30 de setembro de 1911, ter reduzido o número de sessões ordinárias do conselho municipal, foi este convocado extraordinariamente. Havia, além disso, a necessidade de empossar um intendente eleito para o preenchimento de uma vaga naquela corporação.
Pouco tempo depois foi convocada nova reunião extraordinária. Dava-se como motivo a anomalia de não terem sido eleitos pela intendência, como a lei mandava, o respectivo presidente e o vice-presidente.
O superintendente que pertinaz, enfermidade abatera, licenciou-se em 6 de fevereiro de 1912, só voltando a assumir o exercício em abril, por um lapso muito curto de tempo, por que a 4 de maio daquele ano expirou vitimado por uma hepatite palustre.
Com a morte do Coronel Manoel Marques ascendera-se as ambições. O pleito, que se seguiu, foi renhido, provocando uma duplicata de superintendentes e de conselhos.
De um lado, arrogava-se a qualidade de superintendente o Capitão José Ribeiro da Silva, amparado pelo grupo político, que o prestigiava, cuja frente achava-se o juiz de direito Dr. Ângelo Custódio Baptista; e do outro, o Coronel Lucas de Oliveira Pinheiro, chefe, na localidade, do Partido Republicano Conservador, em oposição ao Governo do Estado.
Prepara-se o Coronel Lucas para assumir o governo municipal, quando aportou em Coari o aviso “Cidade de Manáos” trazendo a seu bordo grande contingente de força que, desembarcando, empossou o Capitão José Ribeiro da Silva no cargo de superintendente. Este fato deu origem a um protesto no Conselho Municipal.
Lucas Pinheiro foi eleito, depois, deputado ao Congresso dos Representantes do Estado. Antes de proceder-se a eleição, achava-se no exercício das funções de superintendente o Tenente-coronel Francisco José Pereira de Carvalho. De outro lado presidindo a Comuna, cargo que também se julgava no direito, estava o Major Leôncio Salignac, contando com três suplentes de intendentes.
Empossado no cargo, o Capitão José Ribeiro da Silva, depois de alguns meses, retirou-se do município, assumindo o exercício o Tenente-coronel Carvalho.
Eleito superintendente para o triênio de 1914 a 1916, o Tenente-coronel Virgílio de Barros, tomou posse do cargo em reunião solene realizada, consoante o dispositivo legal, a 1º de janeiro de 1914, lendo sua plataforma política, que depois foi dada sua publicidade. Para o triênio seguinte foi eleito, mas não sem competidor, o Coronel José Antônio de Mello.
Falecendo o Superintendente Mello, foi eleito para completar o tempo o Tenente-coronel Francisco José P. de Carvalho. Encerrado seu ciclo administrativo, procedeu-se a eleição para o período governamental de 1920 a 1922, sendo sufragado o nome do velho e prestigiado chefe político Coronel Lucas Pinheiro que ascendeu ao governo no dia 1º de janeiro daquele ano, segundo o preceito regimental. Foi eleito para o próximo triênio o Capitão R. Pessoa, que em sua administração reconstruiu a Intendência que ora havia ruído.
Tendo passado a reforma constitucional de 14 de fevereiro de 1926, foi nomeado para substituir aquele superintendente o fulgurante escritor Pericles Moraes, cuja presença em Coari marca para este prospero município uma hora de glória.
Perícles Moraes, teve que deixar o município após oito meses de sua posse, sendo removido de Parintins para substitui-lo na Prefeitura, onde servia, o Dr Herbet Lessa de Azevedo, tendo assumindo o exercício neste interim, o Major José Joaquim de Souza, acatada influência política local, na qualidade de presidente da intendência.
A 12 de janeiro de 1927, chegou a Coari o Dr. Herbert, e no mesmo dia, perante assistência numerosa, assumiu o governo municipal, lendo o prefeito interino, por essa ocasião, um substancioso relatório de estado dos negócios políticos. Mas, os fatos sanguinolentos que, de surpresa e covardemente, se desenrolaram em Coari, na manhã de 23 de junho, com o assalto a prefeitura, trouxeram em consequência o assassino desse intrépido e desventurado moço amazonense, que caiu mortalmente ferido.
Após o assassinato do Dr Herbert de Azevedo, foi nomeado o então Capitão Alexandre Montoril, o qual permaneceu até 1939, período que começou a intervenção do Estado Novo.


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